quarta-feira, maio 19, 2010

Onde eu moro e onde eu penso me encontrar...

Eu moro longe daqui. Meu lugar é cada pedaço de chão que eu piso ou imagino pisar. Por isso estou sempre longe, pois cada caminhada é um passo para um lugar diferente. Eu viajo e conheço uma infinidade de lugares através da imaginação. Inexplicavelmente tanta coisa mora em mim. Mora em mim a melancolia e o saudosismo dos portugueses, por exemplo. Essa gente de um lamento poético ou de uma poesia cheia de clamor. As terras lusas do outro lado do oceano parecem tão minhas quanto às ruas que percorro aqui na aridez desse meu lugar. Mas sinto, cada vez que imagino passear pelas velhas ruas lisboetas, o aconchego e o grito sufocado, o misto de dor e alegria. Minha preferência é pelas ruas, ladeiras, esquinas e ruelas velhas. Em chão lusitano me magnetizo pelo toque do passado. O presente passado. O retorno desejado é para décadas distantes enfeitadas pela presença de homens dilacerados e loucos. É com essa memória, com a possibilidade do exalar dessa memória que eu sonho tocar. É essa sensação do mar, do descobrimento, da saudade que eu quero experenciar. Destreza de um Eça, saudosismo exacerbado de um Pascoaes, insanidade de um Sá-carneiro, impulsividade de uma Florbela, genialidade e excesso de consciência de um Fernando Antonio Nogueira Pessoa! E quantos outros ainda necessito conhecer!

Um comentário:

  1. "Separo-me de ti nos solstícios de verão, diante da mesa do juiz supremo
    dos amantes. Para que os juízes me possam julgar, conhecerão primeiro o
    amor desonesto infinito feito de marés ambulantes de espinhos nas pálpebras
    onde as ruas são os pontos únicos do furor erótico e onde todos os pontos
    únicos do amor são ruas estreitíssimas velocíssimas
    que se percorrem como um fio de prumo sem oscilação..."

    Minha querida, eis Luiza Neto Jorge, mais uma portuguesa para aumentar nossa necessidade de saudades...
    Beijos

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